Consciência humana – por Dra. Edilaine de Gois Tedeschi

Em um dia tão importante como esse soubemos do episódio lamentável do assassinato de um homem negro no interior do Hipermercado Carrefour pelosseguranças do próprio do estabelecimento.
No mundo todo o preconceito contra a raça negra é real, tanto é que por longos anos tivemos o apartheid onde explicitamente havia a separação na África do Sul entre Brancos e Negros, esse movimento foi considerado o maior movimento político de segregação racial que perdurou de 1948 até 1993.
Hoje não temos mais a segregação racial explícita, mas temos a dissimulada que permeia o mundo como um todo. E a segregação racial não se refere somente aos negros, mas sim a todo e qualquer cor de pele, etnia, religião e opção sexual.
Hoje vivemos um preconceito geral não só em relação à cor da pele, mas também, em relação ao corpo, ao tamanho, à classe social, às roupas usadas, perdeu-se a noção de educação, de respeito à cultura e à individualidade do próximo.
O dia da Consciência Negra tem raízes históricas pois foi o grupo social escravizado e comercializado comoobjeto durante muitos anos, mas com a liberdade dos escravos, criou-se outra escravidão disfarçada que foi a escravidão dos imigrantes que fugidos das guerras vinham para o Brasil e trabalhavam nas diversas fazendas, onde recebiam os salários, mas só podiam gastar nas vendas e armazéns dos proprietários da própria fazenda e sempre estavam endividados e sofriam também castigos físicos se decidissem rebelar-se contra o senhorio. Então por que não criar o feriado da consciência do imigrante?
Ao rotular-se as pessoas como negras, brancas, albinas, pardas etc., criamos a diferença entre os povos, e essa diferença não poderia existir. Incentivamos cada vez,mas a diferença para criar roupas para o público afrodescendente e roupas para o público que não pertencem a esse grupo. Essa atitude não é saudável para ninguém.
Temos o direito assegurado constitucionalmente de liberdade, o qual compreende respeito às raças, cor de pele, escolha religiosa, de opção sexual e política, esse mandamento constitucional já deveria ser o suficiente para vivermos em harmonia, no entanto, não é. Precisamos de um dia específico para que nos lembre o valor do respeito.
Acredito que o Dia da Consciência Negra, embora tenha características históricas importantes, deveria mudar de nome para o DIA DA CONSCIÊNCIA HUMANA.
A consciência de que somos iguais mesmo com características físicas diferentes e que temos o dever de respeitar o próximo para que também sejamos respeitados é que nos torna capazes de não cometer atrocidades como o ocorrido no interior do Hipermercado Carrefour.
O ser humano é o que importa e sua cor não é relevante o que importa é o respeito pelo ser Humano.
