MARIDO DA PREFEITA DE BAURU É PRESO NA OPERAÇÃO CAVALO DE TROIA
Renato Purini, secretário de Governo de Bauru e marido da prefeita Suéllen Rosim, foi preso na manhã desta sexta-feira (16), no desdobramento da Operação Cavalo de Troia, do Gaeco. A ação apura fraude na licitação da concessão do lixo, avaliada em R$ 5,2 bilhões. A prefeita depõe hoje na Comissão Processante do Lixo, na Câmara Municipal.
SECRETÁRIO DE GOVERNO FOI DETIDO EM CASA, NO INÍCIO DA MANHÃ, EM AÇÃO QUE APURA FRAUDE NA LICITAÇÃO DO LIXO
O secretário foi conduzido à Central de Polícia Judiciária (CPJ) da Polícia Civil, no bairro Higienópolis, por volta das 9h30, onde cumpriu os procedimentos de praxe para casos de prisão temporária. Em seguida, passou pelo Instituto Médico Legal (IML), onde fez o exame de corpo de delito, e deve ser recolhido a um Centro de Detenção Provisória até a audiência de custódia. Segundo o G1, ele também foi levado à sede do Executivo durante a ação.
A audiência de custódia deve ocorrer em até 24 horas após a detenção, quando o preso é apresentado a um juiz, que avalia a legalidade da prisão e pode revogá-la ou convertê-la em preventiva. A prisão temporária, prevista na Lei nº 7.960/1989, pode durar até cinco dias, prorrogáveis por igual período quando o caso envolve, por exemplo, organização criminosa.
Durante a ação desta sexta, o Gaeco, com apoio da Polícia Militar, cumpriu mandados de busca na residência onde Purini mora com a prefeita, em um condomínio na Zona Sul de Bauru, e nas dependências da sede da Prefeitura.
A Operação Cavalo de Troia foi deflagrada em 9 de setembro pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). Na ocasião, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e sete prisões temporárias, além de afastamento de servidores, medidas cautelares diversas, sequestro de bens e suspensão judicial de contratos e da licitação. Entre os detidos estavam dois ex-secretários municipais exonerados, e a Justiça manteve as prisões dias depois.
Segundo o MP, o esquema teria sido construído “por camadas”, da concepção da concessão e dos estudos técnicos até as exigências de habilitação do edital, e envolvia propinas e interferência no certame. A operação apura fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa.
A contratação projetada tem previsão de durar 30 anos e valor global estimado em R$ 5,2 bilhões (R$ 5.259.651.116,06, em números de fevereiro de 2026) — a maior contratação pública já projetada na história de Bauru. A apuração começou em março, após ameaças contra catadores de recicláveis. A licitação da concessão já foi cancelada. No início da operação, o Gaeco também realizou diligências da Operação Mobius, que apura irregularidades no contrato de coleta seletiva.
Em paralelo, a Câmara Municipal de Bauru instaurou pedido de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar os contratos e as licitações da Secretaria do Meio Ambiente.
Nesta sexta, Suéllen Rosim (PSD) é esperada para depor a partir das 14h na Comissão Processante (CP) do Lixo. A detenção do secretário ocorreu no mesmo dia da sessão.
Em nota, a Prefeitura confirmou a operação: “Até o momento, o Município não foi oficialmente informado sobre o objeto da ação. A Prefeitura permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com o que for necessário e prestar os esclarecimentos eventualmente solicitados”, diz o comunicado.
O advogado Jeferson Machado, que atua na defesa de Renato e da família Rosim, esteve na CPJ e optou por não falar com a imprensa.
A audiência de custódia e as próximas etapas da investigação devem definir a situação do secretário nos próximos dias.
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Foto: Luís Negrelli/TV TEM



