GOVERNO BLOQUEIA 13,2 MIL SITES DE BETS ILEGAIS; R$ 1,3 BILHÃO AINDA AGUARDA DEVOLUÇÃO

O governo federal já solicitou o bloqueio de 13.241 sites ilegais de apostas desde 25 de setembro, quando as bets foram proibidas no país. No primeiro dia sem operação, R$ 1,325 bilhão aguardam devolução a 26,5 milhões de apostadores. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a ofensiva muda o fluxo de dinheiro das famílias.

BLOQUEIOS REPRESENTAM MÉDIA DE 1.103 SITES POR DIA; GOVERNOS TAMBÉM PEDIU REMOÇÃO DE PÁGINAS E PERFIS EM REDES SOCIAIS

O número de pedidos de bloqueio representa uma média de aproximadamente 1.103 páginas por dia desde o início da proibição, em vigor desde 25 de setembro por meio da Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país.

Além dos sites, o governo pediu a retirada de conteúdos ligados às apostas ilegais em diferentes plataformas: 1.974 páginas no Facebook, 560 perfis no Instagram, 900 canais e grupos no Telegram, 103 perfis no TikTok, 14 grupos no WhatsApp e 1 servidor no Discord. Segundo Durigan, o conjunto atingia mais de 17 milhões de usuários.

Dos 188 sites de apostas com autorização para operar no Brasil até segunda-feira (5), apenas um continuava em funcionamento nesta terça. O ministério informou que o bloqueio dessa plataforma também foi solicitado.

A devolução dos saldos segue o cronograma da medida. O prazo para retirada voluntária dos recursos terminou às 23h59 de segunda-feira (5). Agora, as empresas têm até quarta-feira (7) para informar às instituições financeiras os saldos remanescentes de cada usuário, identificados pelo CPF, além da conta bancária usada nos depósitos.

Os valores pendentes somam R$ 1,325 bilhão. O número de contas, porém, é superior ao de apostadores: são 86,2 milhões de contas com saldo entre R$ 0,01 e R$ 0,99, totalizando R$ 15,5 milhões, porque uma mesma pessoa pode manter cadastro em diferentes plataformas.

“Já tínhamos identificado entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia que saía da poupança popular e ia para as bets. Dinheiro da poupança popular, que passa a ficar com as famílias. Essa é uma mudança importante”, declarou Durigan.

A maior parte dos recursos está concentrada em uma parcela pequena de usuários. O ministro afirmou que cerca de 1% dos apostadores, o equivalente a aproximadamente 200 mil pessoas, concentra 80% do saldo pendente — e 3,4% concentram cerca de 90%.

“Percebo que há uma concentração grande”, disse.

O governo também pretende investigar contas com valores elevados. Cerca de 40 contas apresentam saldos superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão. A apuração deverá verificar a possível ocorrência de lavagem de dinheiro e eventuais vínculos com organizações criminosas, em paralelo ao processo de devolução e às medidas de bloqueio.

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