Prefeito de São Manuel diz que não vê perseguição política e espera conclusão de inquérito
A renúncia do ex-vereador Davi Pires, anunciada em 19 de outubro, foi tema de duas entrevistas à Rádio Clube FM. No dia 20, Davi falou ao programa Sociais sobre os motivos da saída. Nesta sexta-feira (30), o prefeito Odirlei Félix (Baixinho) e o vice-prefeito Gê Barros foram entrevistados no mesmo programa e responderam às afirmações do ex-vereador, apresentadas a eles nas perguntas.
O que Davi disse
Na entrevista dada no dia seguinte a renúncia, Davi afirmou que renunciava “por perseguição política”, que continuaria trabalhando pela população e que carrega honestidade no caráter. Na entrevista à Rádio Clube, ele disse que a Câmara “não tem nada a ver com isso”. Segundo ele, nos bastidores da política há articulações para atacar pessoas e usar o cargo para eliminar quem possa representar risco a políticos. Ele afirmou sofrer perseguição desde que assumiu o mandato. Ele não citou nomes.
A resposta do prefeito
Questionado sobre essas falas, Baixinho disse que não há perseguição política. Segundo ele, o fato que levou à renúncia foi narrado nas mídias e envolve uma pessoa sem ligação com a política. “Perseguição política por quê? O que isso tem a ver com perseguição política?”, disse.
O prefeito afirmou que o caso está em apuração. “Eu não acuso ninguém antes de estar concluído o inquérito”, disse. Ele explicou que, segundo a denúncia, haveria desvio de dinheiro de fundo eleitoral, e que, se isso se confirmar, “é crime”. Ele frisou que é a sua opinião e que repete o que consta na denúncia. Não há decisão sobre o caso até agora.
Para Baixinho, a renúncia não é motivo de preocupação política para o grupo que governa a cidade. “Eu jamais iria me preocupar com o Davi”, afirmou. Ele citou a votação do ex-vereador como exemplo: disse que Davi teve muito mais votos quando disputou a Assembleia Legislativa do que quando concorreu a vereador. Segundo o prefeito, o resultado de deputado era do grupo político, “não era do Davi, nem meu, nem do Gê”.
O prefeito disse também que não tem “rabo preso” e que responde a qualquer pergunta. “Se tiver alguma coisa de mim, que mostre, que fale, que prove”, afirmou. Para ele, “a pessoa que não tem o que mostrar gosta de se vitimizar e dizer que é perseguida”.
Críticas à fala de Davi sobre recursos
Baixinho também comentou a declaração de Davi, na entrevista do dia 20, de que a função do vereador não é buscar recursos. O prefeito afirmou que o ex-vereador usou R$ 5 mil da Câmara em uma viagem sozinho a Brasília. “Se a função do vereador não é buscar recurso, o que ele foi fazer em Brasília?”, questionou. O vice Gê Barros disse discordar da visão de Davi e afirmou que o município vai melhor quando vereadores cooperam com o Executivo e trazem recursos de deputados e ministérios. “Muito da política é relacionamento”, disse.
A fala do vice
Gê Barros, que preside o Republicanos em São Manuel, afirmou que ajudou na campanha de Davi para deputado estadual e que o colocou como candidato a vereador no partido. Segundo ele, foi cobrado pelas posturas do ex-vereador na Câmara. “Quando a pessoa entra na política, ela tem que ter coragem para representar quem acreditou nela. O Davi renunciou pela segunda vez”, disse. Ele afirmou que “quem não deve, não teme” e que a Justiça está aí para ser feita.
Fonte: entrevistas ao programa Sociais, da Rádio Clube FM, em 20/10/2026 (Davi Pires) e 30/10/2026 (prefeito e vice).



