Mães da Penha exigem justiça pelas vítimas da Operação Contenção
Em um ato emocionado realizado no Complexo da Penha, mães de vítimas da letal Operação Contenção exigiram justiça e denunciou a desigualdade na aplicação da lei. A operação, que ocorreu em outubro de 2025, resultou em 122 mortes e é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, com críticas à forma como a segurança é aplicada nas comunidades.
Um clamor por justiça e igualdade
Tauã Brito, mãe de Wellington Brito, um jovem de 20 anos, foi uma das figuras centrais do protesto. Ela destacou a disparidade na aplicação da justiça entre diferentes áreas da cidade, afirmando que “não existe uma lei para quem mora em um condomínio da Barra da Tijuca e outra para quem mora na favela”. Tauã, que tentou negociar a rendição do filho durante a operação, compartilhou sua dor ao encontrar o corpo dele sem vida, coberto por insetos, após não ser autorizada a entrar na área.
Denúncias graves sobre a operação
Durante o ato, Tauã também criticou o uso político das mortes ocorridas na operação e pediu transparência nas investigações. Ela destacou que o direito à vida não deve ser determinado pela localização geográfica, afirmando que “a polícia mata por causa do CEP”. A confeiteira ressaltou a necessidade de uma resposta judicial adequada para todos, independentemente de sua origem ou situação financeira.
A Human Rights Watch divulgou uma nota apontando evidências de conduta inadequada da polícia durante a operação, sugerindo que muitos dos mortos foram atingidos intencionalmente. A organização destacou que 40% das vítimas foram baleadas na cabeça e que nenhuma das mortes foi registrada pelas câmeras corporais dos policiais.
Desespero e busca por respostas
Maria Edvalda Cândida de Souza, mãe de Cleiton Cesar, de 32 anos, e Ana Paula Muniz, mãe de Diego dos Santos, de 30 anos, também participaram do ato, expressando a dor e o luto pela perda de seus filhos e a falta de respostas das autoridades. Edvalda afirmou: “Nosso coração está despedaçado por falta de respostas, a Justiça está para prender e não matar, né?”.
Ana Paula, que lembrou do sorriso e da alegria de seu filho, pediu esclarecimentos sobre sua morte, afirmando que “quero saber como foi, são muitas perguntas”.
A luta por uma mudança na segurança pública
Os jovens ativistas presentes no protesto também clamaram por uma mudança na abordagem do Estado em relação às comunidades. Eles pedem que as ações do governo não se limitem a operações policiais, mas que incluam investimentos em serviços públicos e projetos sociais. Natan da Silva, um dos jovens, afirmou: “Temos sonhos aqui dentro, existe vida e esperança”.
O ato, que contou com apresentações artísticas e manifestações de solidariedade, deixou claro que a dor e o trauma causados pela operação ainda reverberam nas vidas dos moradores, que buscam por justiça e por um futuro mais seguro para suas crianças. Jéssica Soares de Oliveira, moradora da Penha, expressou seu medo e preocupação com a segurança de seu filho, enfatizando a necessidade de mudança na abordagem da polícia em relação à juventude negra da periferia.
Fonte: Agência Brasil



